HUMANIDADES E OUTROS DEBATES

Blog do Grupo de Estudos em História e Demais Humanidades - GEHH

segunda-feira, 16 de maio de 2011

História e Enredo

Uma síntese de "enredo e verdade na escrita da historia" de Hayden White por Cristini S. Franciosi


A elaboração do enredo e seus limites:


O texto trata sobre a forma de contar história, não precisa ser contada com tantos protocolos, normas como nos textos científicos, ela e narrada de forma simples aparentemente, para que o leitor mais leigo possa entender. Embora Hayden White cite em certa passagem “considero a visão da relação entre história contada historicamente e a realidade histórica – equivocada, ou melhor, mal concebida.” Ele acha que a forma do povo contar histórias através dos fatos, algo para a parte do discurso e não propriamente história. Nesse texto ele dá uma principal atenção ao nazismo a ao holocausto.


Narratividade, elaboração do enredo e o problema do Holocausto:


A narrativa também é muito usada pelos historiadores para criar enredos por que ela, e com ela não são usados apenas afirmações de fatos e argumentos, mas também elementos históricos e poéticos. Com ela o historiador pode lançar mão de vários tipos de enredos, o trágico, o cômico, o romance por exemplo. Não podemos julgar a história, se ela é falsa ou verdadeira pelo tipo de seu enredo (cômico por exemplo) mas sim pelos fatos nela apresentados, o que esses fatos significam. Não devemos descriminar os tipos de enredos, mas para cada história devemos aplicar um enredo que se adapte a ela.

O autor cita duas obras em seu texto e as comenta para diferenciar os tipos de enredo: “Maus” uma história em quadrinhos representando uma visão irônica do Holocausto, e “Hillgruber” uma história com um estilo trágico do mesmo. O autor cita em seu texto Berel Lang que aponta dificuldades em escrever sobre o Holocausto e de certa forma critica as obras citadas anteriormente e complementa “e apenas uma crônica dos fatos é garantida porque, de outra forma, fica-se aberto os perigos da narrativização e da relativização da elaboração do enredo.” Com isso ele aponta uma suposta “criação dos fatos” o que devemos tomar cuidado. Essa criação pode ser voluntaria ou involuntária, voluntaria por querer mostrar mais seu ponto de vista sobre determinado assunto (aqui no texto o autor está citando o Holocausto) e acrescentando assim fatos. E involuntária por que às vezes se baseia em fatos e às vezes fala com as suas próprias palavras, querendo ou não com isso ele pode criar situações sobre o assunto em que esta descrevendo. Dessa forma devemos separar o fato realmente acontecido de uma representação imaginativa diz Lang.


O discurso histórico e a “escrita intransitiva”:


Lang ainda complementa que a representação histórica não è dependente dos significados figurativos e narrativos. Isso não quer dizer que os historiadores devem ocupar o lugar de “realistas ingênuos”, segundo ele os mesmos devem tomar uma posição, ter atitude no que escrevem (o texto cita o Holocausto tema central de Lang). O escritor deve escrever como se tivesse vivido seus escritos, ele deve se colocar de uma forma que cative os leitores e os façam ler e enxergar o outro lado da história, algo que nunca imaginaram pensar.

O texto ainda cita o realismo moderno, contemporâneo, e diz que realidade e história, devem caminhar juntas tanto no passado quanto no presente, embora existam diferenças entre realismo e modernismo, e em relação à história e realismo ela também tem mudanças. Para finalizar, ele diz que não podemos ver o Holocausto como de maior importância que outros acontecimentos e eventos da história humana, o autor apenas cita que ele deve ser escrito de uma forma modernista (contemporânea) para que nos leitores possamos analisar todos os seus lados. E nos posicionarmos em relação a eles.

WHITE, Hayden. Enredo e verdade na escrita da história. In: MALEBRA, Jurandir (org). A história escrita: teoria e história da historiografia. São Paulo: Contexto, 2006. p. 191-210.